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Por que a presença física do cartão não é mais um indicador de segurança
É hora de repensar a forma como definimos risco e transformar a autenticação em uma ferramenta para pagamentos melhores, mais rápidos e seguros.
Os pagamentos tornaram-se muito mais complexos desde a primeira transação de e-commerce, realizada há mais de 30 anos. No entanto, a maneira como classificamos e avaliamos o risco não acompanhou essa evolução. Como a segurança de uma transação não depende mais do cartão estar fisicamente presente, precisamos atualizar nossa definição de risco.
Os modelos de cartão presente (CP) e cartão não presente (CNP), que classificam os pagamentos sob a ótica das novas jornadas de consumo, exigem uma revisão. A noção de "presença" não é mais a única dimensão relevante. Em vez disso, a identidade está se tornando a âncora de confiança. Verificar quem está transacionando importa mais do que o formato do cartão de crédito utilizado.
Dois fatores estão moldando o futuro do setor: a importância da autenticação forte do consumidor e a crescente complexidade do ecossistema de pagamentos.
O estado atual dos pagamentos
Quando ocorreu a primeira compra online, a indústria precisava de uma forma de distinguir transações presenciais de remotas. Foi então que os termos cartão presente (CP) e cartão não presente (CNP) foram introduzidos. Essa estrutura ajudava a avaliar o risco, definir taxas de intercâmbio e estabelecer padrões de performance em uma época em que pagar significava passar um cartão físico em uma loja ou digitar seus números em um site.
Muita coisa mudou. O comércio não está mais limitado a um único ponto de interação; ele é contextual. Acontece em aplicativos, via assistentes de voz, dentro de carros e, em breve, por meio do comércio mediado por agentes de inteligência artificial (IA).
Apesar disso, os pagamentos ainda são classificados como CP ou CNP, sendo que transações presenciais costumam ser consideradas mais seguras devido à presença física do portador.
No entanto, se você carrega um veículo elétrico e paga usando o sistema integrado do carro vinculado a uma carteira digital, a transação é tecnicamente classificada como CNP. Na realidade, o carro atua como um dispositivo físico, similar ao uso de carteiras digitais como Apple Pay ou Google Pay. Mesmo que os dados do cartão não estejam fisicamente ali, o motorista está, e o pagamento conta com um forte fator de posse.
Do formato físico para a camada de confiança
Com o avanço de novas tecnologias de segurança em escala, precisamos de uma mudança fundamental de mentalidade. Ao tratar cada transação de forma individual, em vez de forçá-las nos modelos CP ou CNP, podemos aplicar modelos de risco adequados, simplificar o processamento e melhorar a performance de cada tipo de pagamento.
O que realmente importa não é o cartão físico, mas a robustez da autenticação por trás do pagamento. Trata-se de saber se a transação foi autenticada digitalmente, tokenizada, analisada em tempo real e fundamentada na identidade do usuário.
A autenticação evoluiu do 3DS1 — um ponto único de verificação — para uma capacidade de múltiplas camadas que incorpora biometria e diversos pontos de dados. Não se trata mais apenas de provar que o titular da conta possui os dados do cartão, mas de provar que ele é quem diz ser, independentemente do dispositivo ou plataforma.
A verdadeira oportunidade reside em tratar a identidade digital do cliente como uma função de segurança e um poderoso motor para experiências melhores e mais econômicas. Quanto mais confiarmos na identidade de alguém, mais fluida será a interação, seja aprovando um pagamento ou acessando um serviço. Esse movimento já é visível: nos últimos cinco anos, vimos um aumento de mais de 150% nas transações de e-commerce autenticadas.
Um novo cenário com IA e regulamentação
A IA agora é o elemento comum tanto para bons quanto para maus atores, tornando a fraude mais dinâmica do que nunca. Ao mesmo tempo, o cenário regulatório está se tornando mais rigoroso.
Diretrizes como a PSD3, eIDAS e o AI Act estão redefinindo as regras e criando oportunidades de diferenciação. Regulamentações não são um fardo; elas podem ser catalisadoras para modernizar nossa infraestrutura e unificar dados, construindo confiança a longo prazo.
Os melhores players não serão necessariamente os mais rápidos, mas os mais seguros. As organizações mais resilientes serão aquelas que incorporarem inteligência e confiança em suas operações principais de forma proativa.
O que isso significa para o mercado
À medida que nossa compreensão sobre pagamentos evolui, o setor deve repensar sua abordagem:
Emissores: devem atualizar seus modelos de risco e estratégias de autenticação para suportar novas jornadas de usuário.
Varejistas: devem ver a regulamentação não como um custo, mas como um motor para fluxos mais inteligentes e seguros.
Bandeiras: precisam basear a reformulação do modelo de ponto de interação na segurança e identidade, não na presença física.
PSPs: devem orquestrar identidade, segurança e IA para oferecer um comércio seguro e fluido em escala.
Caminhando para o futuro
O futuro dos pagamentos pertence a quem coloca a identidade e a inteligência no centro da estratégia.
Pagamentos seguros dependerão de estruturas de identidade centradas no usuário, alimentadas por autenticação, tokenização, biometria e IA.
Ao superar a barreira da "presença física do cartão", as empresas podem consolidar o Comércio Unificado (Unified Commerce), protegendo os clientes e criando experiências sem fricção. No mercado brasileiro, onde a agilidade do Pix e a complexidade do pagamento parcelado coexistem, contar com uma tecnologia financeira de ponta é o diferencial para transformar conformidade em vantagem competitiva.