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Como fica o varejo na era do Agentic Commerce? A NRF 2026 aponta
Por mais um ano, a Adyen esteve presente na NRF, a maior feira de varejo do mundo. Vimos indícios do futuro do varejo na era do agentic commerce. Veja os insights
O mergulho em Nova York para a NRF Big Show 2026 consolidou uma mudança que vinha se desenhando nos últimos anos. Mas agora é oficial: a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma ferramenta de otimização e está caminhando para fazer parte da própria infraestrutura do varejo.
Parece estranho falar em “alguns anos” quando 2025 foi o ano em que projetos de IA Generativa explodiram no varejo global, mas o fato é que machine learning, deep learning, redes neurais e outras expressões que usamos no passado também se referiam ao uso de inteligência artificial para a tomada de decisões.
A diferença é que, agora, estamos presenciando o nascimento do Agentic Commerce. No comércio por meio de agentes de IA, as transações financeiras deixam de ser uma interrupção no processo de venda, ou mesmo o ponto final da jornada, e passar a ser um motor estratégico de crescimento do varejo.
Cinco pilares definem essa nova era. A excelência em cada um deles será essencial para gerar diferenciação competitiva e resultados sólidos.
IA Agêntica e a nova economia “machine-to-machine”
A IA Agêntica acontece a partir de agentes autônomos que tomam decisões de compra em nome do consumidor. Não se trata mais de otimizar jornadas de compras: agora estamos falando em criar uma infraestrutura para que sistemas transacionem entre si sem interação humana.
Quando o consumidor dá permissão para que agentes de IA utilizem suas contas para comparar preços em tempo real, aplicar cupons e finalizar o checkout sem que o usuário precise fazer nada, a jornada de compras muda completamente.
Uma consequência importante é que o consumidor deixa de buscar produtos para declarar intenções (“mantenha minha despensa sempre abastecida, pelo melhor preço”). O agente funciona como um “concierge” digital, monitorando o consumo e executando a missão de compra.
Para que essa jornada machine-to-machine funcione, é preciso contar com padrões globais de comunicação. Durante a NRF Big Show, o anúncio do Universal Commerce Protocol (UCP) mostra que o ecossistema de tecnologia vem se movimentando nesse sentido, buscando maneiras de acelerar a implementação do Agentic Commerce.
Pagamento como inteligência de negócios
Com essa disrupção do checkout, o papel dos meios de pagamento também se transforma. O mais importante não é a estrutura tecnológica ou o ponto de contato: o dado vem em primeiro lugar. A análise de transações permite que o varejista obtenha um mapa preditivo do comportamento dos consumidores.
A transformação dos dados brutos das transações em um ativo estratégico que orienta todos os aspectos do negócio (das promoções à expansão física das lojas) coloca os players de meios de pagamento em uma nova posição, muito mais essencial para o ecossistema: provedores de inteligência.
Os dados de pagamento são os sinais mais puros de demanda real. A integração total do PDV à logística redefine o varejo, com alta velocidade, assertividade total e possibilidade de posicionar o sortimento de cada loja e hub de distribuição de acordo com a demanda local. Com isso, os dados transacionais geram um ciclo virtuoso de retorno financeiro.
Omnicanalidade generativa
O varejo físico e o digital convergiram – isso é definitivo. O uso do WhatsApp como hub de transação evoluiu com a IA Generativa, permitindo que a experiência de compra seja uma conversa fluida, independente do canal. Se antes o desafio era integrar o estoque, hoje o foco está na unificação do contexto do cliente e da inteligência generativa para guiar a jornada de compra de forma fluida e preditiva.
A grande mudança que veremos em 2026 é a evolução do varejo conversacional, focado em respostas pré-programadas, para o comércio generativo. Como a IA Generativa entende a intenção complexa dos clientes e consegue responder a cenários. O uso de assistentes generativos tem gerado aumento de engajamento e de tíquete médio para os clientes que converteram via chat. Tudo isso a partir de um cross selling contextualizado.
Para que isso aconteça, a omnicanalidade generativa depende de uma fonte única de verdade sobre os clientes. Essa fonte única viabiliza promoções dinâmicas e personalização em escala: uma vez que uma promoção seja identificada no PDV físico, essa mesma condição precisa estar disponível instantaneamente em todos os demais pontos de contato.
Biometria, o novo padrão de checkout
Quando o agente de IA realiza uma compra, o conceito de “ir ao caixa” desaparece. Para o varejo físico, a tendência é o checkout invisível, reduzindo o atrito no fechamento da venda a zero. E o elemento que permite a execução dessa invisibilidade é a biometria.
Quando o ato de pagar deixa de ser uma ação e se torna um processo de retaguarda, a transação passa a ser uma consequência da presença e da identidade do consumidor. Dessa forma, o consumidor não precisará mais de cartões, senhas ou smartphones: o próprio corpo será o token de acesso e pagamento. Uma forma poderosa de reduzir a taxa de abandono de carrinho.
Cibersegurança na era agêntica
A realização de transações por agentes de IA, sem intervenção humana, aumenta a superfície de ataque para os cibercriminosos. Os riscos se multiplicam e a cibersegurança precisa ser capaz de validar a identidade do agente de IA que representa o cliente.
Conceitos como sequestro de intenção de compra e criação de identidades sintéticas passarão a fazer parte do dia a dia do cenário de pagamentos, exigindo um aprofundamento ainda maior dos modelos de aprendizado para detectar comportamentos maliciosos em tempo real. O que está em jogo é a privacidade dos dados do cliente, a confiança dele na marca do varejo e, no fim das contas, a sustentabilidade financeira das empresas.
O futuro dos meios de pagamento no varejo mostra que a compreensão de todo esse ambiente de agentes de IA, dados e automação precisa fazer parte da estratégia das empresas. Ao mesmo tempo, a humanidade no relacionamento com os clientes precisa se fazer cada vez mais presente.
Um desafio incrível, que transformará os fundamentos do varejo na era do Agentic Commerce.