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Como fica o varejo na era do Agentic Commerce? A NRF 2026 aponta

Por mais um ano, a Adyen esteve presente na NRF, a maior feira de varejo do mundo. Vimos indícios do futuro do varejo na era do agentic commerce. Veja os insights

16 janeiro, 2026
 ·  8 minutos

O mergulho em Nova York para a NRF Big Show 2026 consolidou uma mudança que vinha se desenhando nos últimos anos. Mas agora é oficial: a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma ferramenta de otimização e está caminhando para fazer parte da própria infraestrutura do varejo.

Parece estranho falar em “alguns anos” quando 2025 foi o ano em que projetos de IA Generativa explodiram no varejo global, mas o fato é que machine learning, deep learning, redes neurais e outras expressões que usamos no passado também se referiam ao uso de inteligência artificial para a tomada de decisões.

A diferença é que, agora, estamos presenciando o nascimento do Agentic Commerce. No comércio por meio de agentes de IA, as transações financeiras deixam de ser uma interrupção no processo de venda, ou mesmo o ponto final da jornada, e passar a ser um motor estratégico de crescimento do varejo.

Cinco pilares definem essa nova era. A excelência em cada um deles será essencial para gerar diferenciação competitiva e resultados sólidos.

IA Agêntica e a nova economia “machine-to-machine”

A IA Agêntica acontece a partir de agentes autônomos que tomam decisões de compra em nome do consumidor. Não se trata mais de otimizar jornadas de compras: agora estamos falando em criar uma infraestrutura para que sistemas transacionem entre si sem interação humana.

Quando o consumidor dá permissão para que agentes de IA utilizem suas contas para comparar preços em tempo real, aplicar cupons e finalizar o checkout sem que o usuário precise fazer nada, a jornada de compras muda completamente.

Uma consequência importante é que o consumidor deixa de buscar produtos para declarar intenções (“mantenha minha despensa sempre abastecida, pelo melhor preço”). O agente funciona como um “concierge” digital, monitorando o consumo e executando a missão de compra.

Para que essa jornada machine-to-machine funcione, é preciso contar com padrões globais de comunicação. Durante a NRF Big Show, o anúncio do Universal Commerce Protocol (UCP) mostra que o ecossistema de tecnologia vem se movimentando nesse sentido, buscando maneiras de acelerar a implementação do Agentic Commerce.

Pagamento como inteligência de negócios

Com essa disrupção do checkout, o papel dos meios de pagamento também se transforma. O mais importante não é a estrutura tecnológica ou o ponto de contato: o dado vem em primeiro lugar. A análise de transações permite que o varejista obtenha um mapa preditivo do comportamento dos consumidores.

A transformação dos dados brutos das transações em um ativo estratégico que orienta todos os aspectos do negócio (das promoções à expansão física das lojas) coloca os players de meios de pagamento em uma nova posição, muito mais essencial para o ecossistema: provedores de inteligência.

Os dados de pagamento são os sinais mais puros de demanda real. A integração total do PDV à logística redefine o varejo, com alta velocidade, assertividade total e possibilidade de posicionar o sortimento de cada loja e hub de distribuição de acordo com a demanda local. Com isso, os dados transacionais geram um ciclo virtuoso de retorno financeiro.

Omnicanalidade generativa

O varejo físico e o digital convergiram – isso é definitivo. O uso do WhatsApp como hub de transação evoluiu com a IA Generativa, permitindo que a experiência de compra seja uma conversa fluida, independente do canal. Se antes o desafio era integrar o estoque, hoje o foco está na unificação do contexto do cliente e da inteligência generativa para guiar a jornada de compra de forma fluida e preditiva.

A grande mudança que veremos em 2026 é a evolução do varejo conversacional, focado em respostas pré-programadas, para o comércio generativo. Como a IA Generativa entende a intenção complexa dos clientes e consegue responder a cenários. O uso de assistentes generativos tem gerado aumento de engajamento e de tíquete médio para os clientes que converteram via chat. Tudo isso a partir de um cross selling contextualizado.

Para que isso aconteça, a omnicanalidade generativa depende de uma fonte única de verdade sobre os clientes. Essa fonte única viabiliza promoções dinâmicas e personalização em escala: uma vez que uma promoção seja identificada no PDV físico, essa mesma condição precisa estar disponível instantaneamente em todos os demais pontos de contato.

Biometria, o novo padrão de checkout

Quando o agente de IA realiza uma compra, o conceito de “ir ao caixa” desaparece. Para o varejo físico, a tendência é o checkout invisível, reduzindo o atrito no fechamento da venda a zero. E o elemento que permite a execução dessa invisibilidade é a biometria.

Quando o ato de pagar deixa de ser uma ação e se torna um processo de retaguarda, a transação passa a ser uma consequência da presença e da identidade do consumidor. Dessa forma, o consumidor não precisará mais de cartões, senhas ou smartphones: o próprio corpo será o token de acesso e pagamento. Uma forma poderosa de reduzir a taxa de abandono de carrinho.

Cibersegurança na era agêntica

A realização de transações por agentes de IA, sem intervenção humana, aumenta a superfície de ataque para os cibercriminosos. Os riscos se multiplicam e a cibersegurança precisa ser capaz de validar a identidade do agente de IA que representa o cliente.

Conceitos como sequestro de intenção de compra e criação de identidades sintéticas passarão a fazer parte do dia a dia do cenário de pagamentos, exigindo um aprofundamento ainda maior dos modelos de aprendizado para detectar comportamentos maliciosos em tempo real. O que está em jogo é a privacidade dos dados do cliente, a confiança dele na marca do varejo e, no fim das contas, a sustentabilidade financeira das empresas.

O futuro dos meios de pagamento no varejo mostra que a compreensão de todo esse ambiente de agentes de IA, dados e automação precisa fazer parte da estratégia das empresas. Ao mesmo tempo, a humanidade no relacionamento com os clientes precisa se fazer cada vez mais presente.

Um desafio incrível, que transformará os fundamentos do varejo na era do Agentic Commerce.

Duas pessoas sentadas em um sofá com caixas em movimento, uma segurando um smartphone com anúncio de móveis.

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