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Casa Adyen 2026: os 5 temas que moldam a próxima era dos pagamentos

Confira os principais insights da Casa Adyen 2026: agentic commerce, evolução do Pix, omnicanalidade e como os líderes de mercado transformam a tecnologia de pagamentos em motor de receita. O futuro não espera: ele acontece aqui

26 agosto, 2026
 ·  8 minutos

A Casa Adyen 2026, realizada em 19 de agosto no emblemático Conjunto Nacional em São Paulo, marcou não apenas a celebração dos 20 anos de fundação global da companhia, mas também consolidou uma profunda mudança de paradigma no mercado: os pagamentos deixaram de ser vistos como uma mera commodity operacional para se tornarem coração estratégico e motor de crescimento de receita.

Thais Fischberg, presidente da Adyen na América Latina, destacou em seu discurso de abertura a evolução do comércio a partir de três perguntas essenciais direcionadas aos mais de 300 líderes do mercado presentes no evento:

  1. Onde investir quando tudo parece urgente?

  2. O que acontece quando a inteligência artificial assume o comando?

  3. Como cada empresa está lidando com a transformação?

Aproveitando que o evento flagship da empresa aconteceu apenas dias após sua divulgação de resultados do primeiro semestre, Fischberg aproveitou para destacar que a América Latina é a região em que a Adyen mais cresce: foram 43% de aumento na receita em relação ao ano anterior, muito acima dos 19% que a companhia cresceu considerando o cenário global.

Acompanhe os principais temas e discussões que moldaram a edição de 2026 da Casa Adyen – onde o futuro não espera, acontece.

1. Macroeconomia, crédito e o consumo no Brasil em 2026

O cenário macroeconômico atual vive um "cabo de guerra": de um lado, juros altos contêm a inflação; do outro, a política fiscal expansionista estimula o consumo de curto prazo, mas gera volatilidade no longo prazo. Na ponta final, a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, destaca o impacto no bolso do consumidor: o comprometimento real de renda do brasileiro atinge 74,6% — podendo chegar a 80% e 90% nas faixas de até dois salários mínimos.

Diante desse aperto, reter clientes e garantir a conversão exige abandonar análises estáticas de risco e adotar hipersegmentação:

  • Para a população em aperto (60% dos brasileiros, responsáveis por 45% do e-commerce): O parcelamento é o mecanismo central de conversão e viabilização de compras.

  • Para a fatia de renda estável (20% da população, responsáveis por 46% das vendas): A estratégia deve focar em conveniência, upselling e checkout sem atrito.

Paralelamente, a preparação para a Reforma Tributária é urgente: 42% das PMEs ainda desconhecem o impacto real das novas regras em seus negócios.

2. O futuro dos pagamentos: infraestrutura, tokenização e segurança

No painel com os líderes da Elo (Giancarlo Greco), Visa (Rodrigo Cury) e Mastercard (Marcelo Tangioni), mediado por Thais Fischberg, ficou evidente a digitalização estrutural do mercado. A resiliência do cartão frente ao Pix deve-se à tokenização em carteiras digitais e aplicativos de recorrência, substituindo o número real por um token dinâmico que elimina atritos no checkout e protege contra vazamentos de dados.

Os executivos reforçaram o compromisso global de eliminar senhas em transações digitais até 2030, migrando para biometria nativa e passkeys. Sob a ótica regulatória, Roelant Prins (CCO da Adyen) destacou as Resoluções 522 e 561 do Banco Central, exigindo tecnologias capazes de processar volumes massivos em milissegundos e se adaptar instantaneamente às normas.

A grande fortaleza do Brasil é a complementaridade dos meios de pagamento: enquanto o Pix domina a liquidação instantânea à vista, o cartão segue essencial pelo crédito, parcelamento e proteção. A Adyen atua de forma agnóstica para potencializar ambos os trilhos, permitindo que os lojistas automatizem a conciliação em uma única plataforma e ofereçam total liberdade de escolha no checkout.

3. Agentic commerce: da otimização algorítmica à transação M2M

O Agentic commerce (ou comércio agêntico) foi consolidado como a grande fronteira de inovação de consumo para a próxima década. Baseado em modelos de inteligência artificial autônomos que realizam pesquisas, tomam decisões baseadas nas preferências do usuário e executam a transação financeira de forma autônoma de ponta a ponta, o agentic commerce deixou de ser promessa para se tornar realidade executável.

Karan Katyal, Global Head of Agentic Commerce da Adyen, detalhou o avanço das quatro vertentes desse ecossistema:

  1. Human-in-the-Loop: A IA atua na descoberta e filtragem inicial, mas o usuário humano precisa validar e autorizar cada compra de forma manual.

  2. Consumer Autonomous Agents: Agentes de consumo que recebem mandatos específicos do usuário — como comprar um produto recorrente quando ele atingir um determinado preço de mercado — e executam a compra de forma 100% autônoma.

  3. Machine-to-Machine (M2M) Payments: Dispositivos IoT inteligentes que realizam transações entre si, como uma geladeira inteligente comprando suprimentos diretamente de uma mercearia integrada, ou uma impressora solicitando cartuchos de tinta adicionais.

  4. B2B Procurement: Sistemas corporativos agênticos que orquestram reposições de estoque e suprimentos industriais de forma autônoma por meio de redes de parceiros integradas de fornecedores.

A forma de expor produtos na internet mudou. O foco deixa de ser apenas o SEO para humanos e passa a exigir GEO (Generative Engine Optimization) e AEO (Answer Engine Optimization) — estruturando dados e catálogos via APIs para serem legíveis por máquinas e recomendados por algoritmos de IA.

Para conectar essas pontas, a Adyen apresentou a plataforma Adyen Agentic, uma infraestrutura que funciona como um "tradutor universal de pagamentos" entre lojistas e assistentes de IA. A tecnologia permite que agentes autônomos consultem estoques, acionem APIs de checkout e concluam transações com segurança, sem expor as credenciais do consumidor.

4. Omnicanalidade além da superfície: cases reais de líderes do mercado

O comércio unificado no Brasil avançou muito além do "comprar online e retirar na loja". Cases reais apresentados durante as plenárias provaram como a unificação de estoques e pagamentos gera impacto imediato nas margens de lucro dos varejistas.

Wellhub

Presente em 18 países, a companhia provou que a expansão internacional não aceita fórmulas prontas: a centralização na Adyen permitiu criar um reconciliador de recebíveis in-house global com visibilidade financeira unificada em tempo real, além de acelerar processos complexos de M&A — como a integração da Urban Sports Club na Europa — através de uma única camada de tecnologia.

Uber

No seu maior mercado global em volume de viagens, a empresa transformou o Pix em alavanca estratégica para atrair usuários sem cartão de crédito e reduzir custos. O grande destaque foi o Pix QR Code Post-Ride, funcionalidade que formalizou os pagamentos em dinheiro com conciliação automática direto na tela do app, tornando-se o recurso de adoção mais rápida da história global da Uber.

Globo

Para combater o churn involuntário em produtos de alta escala como Globoplay e Premiere, a estratégia combina Real-time Card Updater e tokenização nos planos anuais — alcançando mais de 95% de aprovação — e a régua de "cliente suspenso" para reativação voluntária no erro de saldo em planos mensais. O ecossistema se completa com o pioneirismo no Pix Automático, que amplia a inclusão de novos assinantes à base.

RD Saúde

Em um setor comoditizado e de preços regulados, a empresa tornou a eliminação da ruptura de estoque seu principal diferencial competitivo com a Prateleira Infinita. A solução permite que o atendente venda no balcão itens em falta na loja para entrega em até uma hora ou retirada próxima, modelo que sustentou também a expansão do portfólio da nova Raia Conceito via terminais digitais.

Riachuelo

Unindo parque fabril e mais de 400 lojas físicas, a varejista prepara sua arquitetura para picos massivos de checkout realizando testes de estresse que simulam até 16 vezes o tráfego esperado. O aprendizado acumulado no Social Commerce desde o "dia zero" do TikTok Shop no Brasil serviu como laboratório acelerado para estruturar o backend que sustentará o comércio agêntico.

Estapar

Atendendo mais de 10 milhões de clientes por mês, a companhia opera sob a premissa de que a transação ideal é invisível e sem atritos nas cancelas. Com a infraestrutura da Adyen, a Zona Azul paulistana no app Zul+ processa cerca de 180 mil ativações diárias (com picos de 3 transações por segundo) mantendo 95% de aprovação, conectando do checkout no app aos pagamentos por aproximação (NFC) nas garagens.

iFood

Ao expandir sua atuação para o mundo físico com a fintech iFood Pago, a solução Maquinona transacionou mais de R$ 1 bilhão em TPV ao unificar o ecossistema online ao salão dos restaurantes, aumentando em 12% as vendas e em 2,5 vezes a taxa de revisita de clientes. O combate à fraude foca na identificação do bom comprador, alcançando taxas de conversão e índices de chargeback no ecommerce comparáveis aos níveis do varejo físico.

5. O elemento humano na era da IA

A reflexão sobre os limites da automação ganhou destaque com Renato Raduan, CEO da RD Saúde, ao reforçar que o verdadeiro diferencial competitivo segue sendo a empatia no atendimento. Segundo Raduan, a tecnologia deve remover atritos e dar repertório às equipes nos bastidores, mas nunca simular sentimentos ou substituir o acolhimento humano na ponta.

A tecnologia com propósito também se traduziu em impacto social concreto: Globo e Adyen anunciaram a implementação do Adyen Giving para o Criança Esperança, permitindo doações diretas no checkout de produtos digitais — solução pioneira já utilizada pela Adidas em parceria com a Fundação Gol de Letra.

"Para mim, essa é a definição de inovação: quando a gente usa de fato tecnologia em escala para gerar impacto concreto" – pontuou Thais Fischberg, Presidente da Adyen na América Latina, em sua fala de abertura.

Keynote speaker da Casa Adyen 2026, o "Profeta Digital" David Shing sintetizou a grande virada comportamental do mercado:

  • "AI is not killing creativity. What it is killing is friction." (A IA não está matando a criatividade; ela está matando a fricção).

  • De IQ para EQ: A sociedade migra da era do "IQ" (internet de busca de dados) para a era do "EQ" (decisões emocionais e humanas). Como 75% das decisões de compra são emocionais, vende-se para o coração para justificar para a cabeça.

  • O paradoxo do toque: O crescimento do consumo de vinis (mercado que vale US$ 2 bilhões) e câmeras analógicas demonstra a busca desesperada do consumidor por presença física, tato e autenticidade em um mundo hiperconectado.

  • A inversão do varejo: As marcas precisam parar de focar em "making people want stuff" (fazer as pessoas desejarem coisas) e passar obstinadamente a "making stuff that people want" (fazer coisas que as pessoas realmente desejam).

A Casa Adyen 2026 deixou claro que o futuro do comércio já é uma realidade presente para as empresas que convergem tecnologia, dados e experiência humana. Construir uma operação de liderança exige integrar todos os canais de vendas em uma única arquitetura transacional, estruturar dados e APIs para atender às compras autônomas via inteligência artificial e usar a automação para eliminar burocracias, gerando valor e conexões genuínas com os clientes.

Duas pessoas sentadas em um sofá com caixas em movimento, uma segurando um smartphone com anúncio de móveis.

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