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Q&A Reforma Tributária: os impactos das novas regras na gestão dos pagamentos

Das mudanças nas emissões das notas fiscais ao sistema de split payment, confira os principais efeitos das novas regras sobre operações financeiras

18 agosto, 2026
 ·  5 minutos

Implementada em janeiro, a primeira fase da Reforma Tributária do Consumo vem revelando um novo cenário para as estratégias de controle fiscal e gestão de pagamentos das empresas brasileiras. 

Além da adaptação a novos mecanismos de apuração e modelos tributários, a transição para o modelo demanda ajustes graduais em diversas pontas da operação, incluindo a revisão de processos administrativos, repasses de valores e a revisão do fluxo de caixa. 

A seguir, confira as respostas para algumas das principais dúvidas sobre os impactos das novas regras sobre as transações financeiras.

1 - Quais são as principais mudanças previstas pela Reforma Tributária?

As novas regras têm como base a adoção da tributação no destino (com recolhimento nos locais onde produtos e serviços são consumidos) e a substituição de encargos indiretos (ICMS, ISS, PIS e COFINS) por dois novos impostos: o IBS e a CBS.

Com objetivo de facilitar a gestão de tributos estaduais e municipais, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) unifica as cobranças de ICMS e ISS. Sua administração será realizada por meio de um Comitê Gestor formado por diferentes entes federativos.

O CBS (Contribuição Sobre Bens e Serviços), por sua vez, substitui o PIS e a COFINS, com processos de pagamento, controle e monitoramento supervisionados diretamente pela Receita Federal.

As mudanças também preveem a criação do Imposto Seletivo, que terá incidência exclusiva sobre operações relacionadas à produção, à extração, à comercialização e à importação de produtos e serviços com implicações para a saúde e o meio-ambiente.

2 - O que é o modelo tax exclusive?

Além da unificação e da tributação no destino, a principal mudança para as empresas está na forma pela qual as alíquotas são calculadas e apresentadas ao público. 

No formato anterior, os impostos eram embutidos nos valores cobrados aos clientes finais, sendo o custo absorvido pelos fornecedores de produtos e serviços. 

Com a reformulação do sistema, o Brasil passa a adotar o chamado modelo tax exclusive, no qual os tributos são aplicados “por fora” dos preços, discriminando os valores separadamente nas notas fiscais apresentadas ao público.

3 - Como vai funcionar o Split Payment?

Um dos pontos mais relevantes para as operações de pagamento, o Split Payment prevê que as processadoras realizem a coleta e o repasse direto de tributos devidos pelos estabelecimentos comerciais credenciados, incluindo arranjos de cartão, Pix e boleto

Com lançamento previsto para 2027, o sistema direcionará automaticamente o recolhimento dos impostos ao Fisco após a liquidação financeira, com alíquotas fixas e estabelecidas previamente.

O formato também inclui a modalidade de Split Payment Inteligente, que prevê a integração com sistemas de débito e crédito tributário, permitindo o cálculo dinâmico e antecipado do valor a ser retido em cada transação. 

Dependendo do regime adotado, o sistema inteligente permitirá, por exemplo, acessar o valor potencial de créditos fiscais aos quais as organizações têm direito a partir das soluções contratadas em plataformas financeiras. 

4 - Quais são os impactos sobre o fluxo de caixa?

Diferentemente do modelo anterior, no qual os tributos eram apurados e pagos apenas nos meses seguintes, o Split Payment libera apenas os valores líquidos (descontados de IBS e CBS) para as empresas. 

Na prática, a reforma traz uma dinâmica mais fluida e previsível para a gestão financeira: o recolhimento na origem simplifica apurações e dá mais clareza ao fluxo de caixa real das empresas.

Esse novo cenário é uma oportunidade para otimizar estratégias de precificação e processos de pagamento. Para aproveitar ao máximo esses ganhos de eficiência, a unificação das operações em plataformas integradas torna-se uma grande aliada, garantindo uma visão sistêmica e uma transição muito mais ágil.

5 - Quando as novas regras serão aplicadas?

A migração para o novo sistema começou em janeiro de 2026, em caráter experimental. O objetivo da fase-piloto é permitir que as companhias façam os ajustes financeiros e operacionais necessários para se adaptarem às regras. A mudança será conduzida de maneira gradual e tem finalização prevista para 2033.

Durante a fase de testes, os tributos antigos (PIS, Cofins, ICMS, ISS) continuam em vigor, com alíquotas-teste de CBS e IBS destacadas em notas fiscais. 

Veja abaixo o cronograma de transição completo.    

  • 2026: Início dos testes com alíquotas reduzidas (0,9% CBS e 0,1% IBS).

  • 2027: Incorporação do CBS (extinção de PIS e Cofins) e vigência das novas regras para o Simples Nacional.

  • 2027: Adesão facultativa e testes iniciais do Split Payment. 

  • 2029-2032: Incorporação gradual do IBS (extinção de ICMS e ISS).

  • 2033: Conclusão da transição para o novo sistema.

6 - Quais são os próximos passos?

A adaptação às Reforma Regra tem como base a preparação antecipada para acompanhar a evolução do cronograma e realizar os ajustes necessários para atender às novas regras fiscais, contábeis e financeiras.   

Diante desse cenário, a Adyen vem estabelecendo um monitoramento rigoroso sobre os trâmites legislativos relacionados à transição, atuando ativamente nas discussões regulatórias — e trabalhando ao lado dos nossos clientes para garantir a conformidade e a eficiência dos processos tributários em jornadas de pagamento.

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