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O cenário da fraude em 2026: inteligência artificial, autofraude e automação em escala redefinem perfis de risco no varejo digital

Realizada a partir de dados proprietários globais e entrevistas com grandes empresas, pesquisa da Adyen aponta a ascensão dos playbooks replicáveis e o aumento dos casos de autofraude entre os principais desafios para garantir a legitimidade das transações financeiras

30 junho, 2026
 ·  6 minutos

A aceleração do mais recente ciclo de inteligência artificial abriu um novo panorama nas estratégias de combate às fraudes financeiras. No lugar dos incidentes isolados, as ações realizadas passaram a contemplar modelos baseados em playbooks cada vez mais replicáveis, automatizados e escaláveis.

A partir dessa premissa central, o Relatório de Fraude 2026 da Adyen mapeou os desafios de segurança que vêm sendo enfrentados por lojistas digitais e por gestores de pagamentos. 

Tendo como base entrevistas realizadas com mil tomadores de decisão de grandes empresas americanas e um volume de mais de US$ 1,6 trilhão transações processadas globalmente pela Adyen, o estudo destaca a necessidade de criar estruturas integradas de gestão de risco, incorporando tecnologias que permitam a interpretação de contextos, perfis e intenções de clientes de forma mais dinâmica e abrangente. 

Pulverização, automatização e escalabilidade: a nova face da fraude

Entre os principais desafios apontados pelo relatório, está a transição das práticas isoladas de fraudes para modalidades de massa. Baseadas na aplicação simultânea de milhares de variações de ataques, a prática tem como base o ajuste de identidades, dispositivos, meios de pagamento e padrões de comportamento em tempo real para explorar vulnerabilidades operacionais.

Impulsionadas pela criação de identidades sintéticas via deepfakes e documentos falsos, as novas possibilidades de automação passaram a permitir a realização de golpes orientados por  ciclos de feedback contínuo. Nesse novo cenário, cada investida se torna uma fonte de aprendizado para otimizar a próxima tentativa, moldando os golpes até superar os sistemas de proteção das empresas. 

Com a facilidade de escalar e automatizar práticas fraudulentas, grupos cada vez mais concentrados de criminosos se habilitaram para atacar empresas de diversos setores, perfis e regiões — uma mesma vulnerabilidade pode ser rapidamente testada e explorada em múltiplos negócios ao mesmo tempo. 

De acordo com o levantamento, apenas 5% dos perfis de usuários concentram 41% dos incidentes de fraude e 58% do valor total perdido pelas organizações globais

Na ponta final, a redistribuição do risco também altera a dinâmica operacional dos sistemas e processos de proteção. Em vez de ataques focados poucas transações de alto valor, o volume passou a ser disseminado entre atividades menores, recorrentes e distribuídas, aumentando a complexidade das análises e pressionando custos de revisão manual, chargebacks e recusas indevidas.

Usuários conhecidos, intenções desconhecidas

Em meio aos desafios de escala e automatização, o Relatório de Fraude 2026 revela que uma parcela significativa das fraudes realizadas não está mais necessariamente ligada à invasão de contas ou à utilização de identidades falsas. Em muitos casos, os comportamentos abusivos acontecem em jornadas aparentemente legítimas.

Entre as empresas analisadas pelo estudo, 44,3% das empresas relataram crescimento de casos de autofraude (first-party fraud), nos quais consumidores realizam compras legítimas e registram pedidos indevidos de contestação (por defeitos ou falhas de entrega inexistentes, por exemplo).

Práticas como abuso de promoções, múltiplos cadastros para reutilização de benefícios, exploração de brechas em programas de fidelidade e devoluções recorrentes vêm ampliando essa zona cinzenta da fraude digital.

Diante desse cenário, o monitoramento sistemático da intenção e do comportamento ao longo do ciclo de vida dos consumidores se apresenta como um fator decisivo para reforçar a segurança das jornadas de pagamentos — 52% dos respondentes adotaram plataformas de avaliação contínua de perfis de clientes no último ano. 

Para separar os clientes legítimos dos autofraudadores, o relatório reforça a necessidade de incorporar soluções de identidade dinâmica como infraestrutura, substituindo sistemas estáticos de validação por ferramentas de aprendizado que contemplam padrões de recorrência, contextos e hábitos de compra entre diferentes canais, dispositivos e modalidades.

Visão estratégica e a próxima fronteira do comércio agêntico

A automatização em escala das fraudes também vem redefinindo a calibragem entre frentes de cibersegurança, conversão e aceleração de vendas.

A complexidade dessa relação é amplamente conhecida no mercado de pagamentos: ao mesmo tempo em que bloqueiam atividades suspeitas, controles excessivamente rígidos geram pontos de fricção que podem comprometer resultados financeiros. A pesquisa da Adyen mostra que sistemas de proteção estáticos podem bloquear até 10% das transações legítimas.

Para promover o equilíbrio entre segurança e competitividade, 39% dos entrevistados pelo relatório da Adyen já abordam a gestão de fraudes como alavanca de crescimento, enquanto 48% buscam novas maneiras de equalizar estratégias de expansão e prevenção de riscos. 

No próximo passo desse roadmap, o estudo destaca os impactos do comércio agêntico nas estratégias de cibersegurança adotadas pela indústria de pagamentos. Com a chegada de novas gerações de assistentes virtuais, o desafio não será a validação das atividades dos usuários, mas o monitoramento de sistemas capazes de tomar decisões financeiras de forma autônoma.

Para acompanhar esse panorama em construção, os especialistas da Adyen sugerem o uma abordagem baseada em três pilares centrais: inteligência comportamental (critérios de interação orientados por agentes), identificação (segmentação de bases de agentes confiáveis e não confiáveis) e autenticação delegada (alinhamento de padrões emergentes com parâmetros da indústria e marcos regulatórios).

Da prevenção à inteligência operacional

Mais do que o volume de bloqueios realizados, a assertividade das análises de risco deve ser a principal métrica para avaliar o sucesso das estratégias antifraude.

Para orientar empresas e gestores de pagamento nessa direção, a Adyen oferece uma plataforma proprietária de Unified Commerce, conectando tecnologias de autenticação, tokenização, inteligência artificial e análise comportamental em uma infraestrutura centralizada.

A partir de uma base de dados que reúne mais de US$ 1,6 trilhão em volume global de pagamentos processados, o sistema oferece uma solução escalável para identificar padrões, validar perfis e aprovar pagamentos com agilidade e segurança, reduzindo falsos positivos e garantindo uma experiência de checkout mais fluida para clientes finais.

Empresas que tratam identidade como infraestrutura e risco como alavanca de crescimento conseguem recuperar receitas de recusas indevidas, melhorar taxas de aprovação e fortalecer a experiência dos consumidores.

Duas pessoas sentadas em um sofá com caixas em movimento, uma segurando um smartphone com anúncio de móveis.

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