Artigo
O que a NRF 2025 ensina para o varejo de vestuário?
Maior evento de varejo do mundo mostra caminhos para a evolução das empresas do setor
O varejo de vestuário passa por um momento de profundas transformações. A jornada de compras dos clientes, cada vez mais digitalizada, provoca mudanças nas interações com as marcas, enquanto a loja física assume novos papeis e as preocupações com sustentabilidade abrem espaço para outros modelos de negócios.
Nesse cenário, o relacionamento com o cliente se torna ainda mais importante. Se no passado era possível ter sucesso focando em bons produtos e uma excelente distribuição, hoje essas capacidades têm menos valor se não houver uma profunda conexão com os consumidores – uma conexão que é estimulada por boas lojas físicas, que encantam, comunicam os valores da marca e estabelecem proximidade e engajamento emocional.
Esse novo momento do varejo de vestuário ficou claro na NRF Big Show 2025. O principal evento de varejo do mundo, que aconteceu em janeiro em Nova York, mostrou o futuro do varejo – e fazendo com que as empresas precisem repensar estratégias, infraestrutura, jornadas e interações.
Avaliando especificamente os insights que a NRF Big Show 2025 traz para o setor de vestuário, três pontos precisam estar na agenda das empresas que querem fazer a diferença neste ano. Veja a seguir.
1. Meios de pagamento que viabilizam melhores experiências
Os meios de pagamento são normalmente vistos como uma etapa de interrupção do encantamento no processo de vendas – aquele momento em que o consumidor é lembrado que a promessa do produto e da marca depende de uma transação financeira. Mas não precisa ser dessa forma: os meios de pagamento podem trazer mais eficiência às lojas e, ao mesmo tempo, aumentar a satisfação dos clientes.
“É preciso colocar o consumidor em primeiro lugar. Ao fazer isso, os meios de pagamento precisam entregar velocidade, confiabilidade e variedade de opções."
Holly Worst
VP de Varejo e Unified Commerce, Adyen
Um bom exemplo é o surgimento de soluções como o Adyen Uplift, uma suíte de ferramentas de otimização que usa Inteligência Artificial e machine learning para reconhecer comportamentos e aumentar a taxa de conversão das transações. “Nos testes piloto que fizemos com mais de 60 marcas, tivemos um aumento de até 6% na conversão, o que tem um impacto direto na rentabilidade do negócio”, diz Holly.
“Podemos aumentar as receitas e reduzir custos com soluções avançadas de pagamentos. Esse tipo de tecnologia oferece um checkout rápido, permite que aceitemos mais meios de pagamento e melhora a experiência do cliente”, analisa Gareth Hughes diretor executivo de Tecnologia de Varejo da Estée Lauder.
“Isso acontece porque os meios de pagamento também podem ser usados como parte da estratégia de aquisição de clientes.”
Angela Clark
VP Digital, Patagonia
2. Encontre novas linhas de receita
Para ter boa saúde financeira, o varejo não pode mais se limitar a vender produtos. A oferta de serviços financeiros é conhecida do mercado brasileiro, mas a Retail Media – o uso dos pontos de venda como canais de mídia – é uma área em forte evolução. Esse mercado deve ter um crescimento de 40% ao ano nos EUA até 2028.
Exemplos de sucesso existem nos mais variados segmentos do varejo. A Roundel, empresa de Retail Media da rede de lojas de departamento Target, por exemplo, usa dados de 165 milhões de clientes que passam pelos seus pontos de venda para entender comportamentos e aumentar a assertividade da publicidade em canais digitais e analógicos.
“É mais do que uma evolução do trade marketing: é uma forma de alcançarmos novas fontes de receita e permitir que as marcas se comuniquem melhor com o público.”
Monique Perlmutter
Diretora Sênior, Rounde (Retail Media da Target)
Em parceria com plataformas como Pinterest, Google e Meta, cerca de 30% da publicidade da Roundel passa por canais que não são próprios da Target, ampliando o alcance das atividades de publicidade.
Para a rede de lojas de departamento Nordstrom, sua Virtual Community Network procura usar Retail Media como uma forma de criar novas experiências para os clientes. “Nosso foco está na atração de clientes, divulgando nossos produtos e eventos para gerar engajamento emocional”, comenta Aaron Dunford, VP da Nordstrom Media. “Integrar a comunicação digital e física melhora nossa comunicação com os clientes e gera relacionamentos mais duradouros”, acrescenta.
3. Foque na conexão, não no produto
Como competir com a velocidade do varejo digital? Para Lee Peterson, VP Executivo da WD Partners, a melhor forma de competir é mudar o campo de jogo. “Velocidade e conveniência não são o forte do varejo físico, menos ainda de um setor focado em experiência, como o de vestuário. Concentre-se em criar conexões emocionais que o online não consiga replicar”, recomenda.
Para criar boas conexões, certifique-se de que o básico da loja seja excepcional. Ambientes confusos, iluminação ruim, atendimento de baixa qualidade e checkout lento afastam os clientes e devem ser resolvidos imediatamente. “Depois de resolver o básico, aí sim invista em um ambiente que convide o cliente a permanecer por mais tempo. Priorize a qualidade e apresente produtos e serviços exclusivos, disponíveis somente na sua loja”, afirma Peterson.
A rede de artigos esportivos Lululemon tem seguido essa receita, transformando suas lojas em pontos de conexão e experiência. “Focamos em construir comunidades em torno da marca. Para isso, fazemos eventos nas lojas, contamos com produtos exclusivos e desenvolvemos embaixadores locais, alguns deles colaboradores que participam de eventos que vão de aulas de ioga ao Ironman”, explica Calvin McDonald, CEO da empresa.
Cada loja da marca atende às necessidades e características do entorno. Para isso, o mix de produtos, os processos de pagamento e a jornada de encantamento dos clientes é analisada com base em dados. “O uso de Inteligência Artificial tem sido importante para entendermos melhor o comportamento dos clientes. Não é a tecnologia pela tecnologia, e sim para gerar mais experiência, encantamento e resultados”, diz McDonald.