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Lisboa · 11 de junho, 2026

81% dos retalhistas em Portugal querem a IA a concluir compras, mas receio da fraude no checkout trava consumidores, revela Adyen

  • A esmagadora maioria das empresas de retalho nacionais está recetiva a que a Inteligência Artificial conclua compras em nome dos clientes, com 39% a definirem esta tecnologia como uma prioridade estratégica para os próximos 12 meses.

  • Embora 39,15% dos consumidores em Portugal demonstrem abertura para compras automatizadas, a Geração Z lidera a resistência à autonomia total da IA (35,19% de rejeição), preferindo usar as redes sociais como montra de compras (43,38%).

  • O paradoxo da segurança no mercado nacional: 50,19% dos portugueses temem a fraude e a falta de privacidade, mas 22,55% admitem abandonar o carrinho se os controlos de segurança forem complexos.

Lisboa, 11 de junho de 2026 - A Adyen, a plataforma global de tecnologia financeira de eleição para empresas líderes, acaba de apresentar um novo estudo que analisa as tendências e os desafios do retalho digital em Portugal. À medida que as empresas avançam rapidamente para permitir que a Inteligência Artificial (IA) atue como um assistente digital capaz de concluir compras de forma autónoma, deparam-se com uma barreira de desconfiança por parte dos consumidores. Para conquistar o público, os retalhistas nacionais terão de criar soluções que equilibrem a proteção contra a fraude avançada, com a conveniência exigida pelas novas gerações.

O ponto de viragem da IA no retalho nacional

A transição para processos de pagamento automatizados está a ganhar terreno em Portugal. Uma esmagadora maioria de 81% das empresas de retalho no mercado nacional está agora aberta a permitir compras totalmente geradas por IA. Este compromisso com a inovação é evidente, dado que 39% dos retalhistas identificam esta tecnologia como uma prioridade estratégica, tendo como objetivo a sua total integração ao longo dos próximos 12 meses.

A resistência dos consumidores e o impacto das redes sociais

Contudo, transformar um motor de recomendações útil num assistente pessoal de compras automatizado exige ganhar a confiança por parte dos portugueses. Atualmente, 39,15% dos consumidores em Portugal estão dispostos a que um assistente de IA faça a gestão de todo o processo, incluindo a transação final. 

Por outro lado, 32,07% mostram-se firmemente contra esta premissa. Curiosamente, a resistência a delegar o pagamento final na IA atinge o seu valor mais alto entre a Geração Z (35,19% de rejeição), superando o ceticismo dos Millennials (30,17%).

Este recuo dos mais jovens perante a autonomia total da IA contrasta com a sua intensa atividade nos canais digitais. O estudo da Adyen revela que as redes sociais se consolidaram como um espaço de consumo incontornável em Portugal:

  • Canais de Compra: 34,45% dos portugueses utilizam as redes sociais para fazer compras, um valor que dispara para os 43,38% na Geração Z e 37,45% nos Millennials.

  • Fidelização pela Conveniência: 37,00% de todos os inquiridos afirmam que seriam mais fiéis a um retalhista que lhes permitisse comprar produtos diretamente na sua página social, um desejo partilhado por 41,42% dos Millennials e 40,40% da Geração Z.

  • O Peso da Recomendação: A opinião dos outros dita as regras do mercado. 56,29% da Geração Z e 46,65% dos Millennials são mais propensos a adquirir um produto se virem amigos ou influenciadores a recomendá-lo. Além disso, ver um artigo em destaque (trending) nas redes cria a intenção de compra de 41,39% dos jovens da Geração Z.

Para os compradores nacionais que ainda hesitam em adotar estas ferramentas automatizadas, as três principais razões prendem-se diretamente com o controlo e a segurança:

  1. Perda de controlo: 57,79% preferem pesquisar e tomar a decisão final por si próprios.

  2. Privacidade e segurança dos dados (Receio da Fraude): 50,19% manifestam forte preocupação com a proteção dos seus dados pessoais e detalhes de pagamento.

  3. Receio de erros no pedido: 40,30% temem que a tecnologia ordene tamanhos, cores ou produtos errados.

O equilíbrio ideal: Segurança vs. Conveniência

Mesmo entre os consumidores portugueses dispostos a adotar a IA, a  transparência é uma condição obrigatória. Se a IA comprar em seu nome, a prioridade absoluta reside na proteção financeira: 40,19% exigem total segurança das informações de pagamento e privacidade de dados. Logo de seguida, surgem exigências no apoio pós-venda e na definição de responsabilidades: 38,94% exigem um processo simples para devoluções e 38,01% exigem saber exatamente quem assume a responsabilidade se o artigo errado for transacionado.

Este receio com a segurança é 100% legítimo, face ao aumento global das ameaças baseadas na IA, porém gera uma contradição complexa no momento do pagamento: os portugueses exigem proteção máxima, mas rejeitam barreiras. Em Portugal, 22,55% dos consumidores admitem que abandonam o carrinho de compras online se o processo de segurança (como códigos SMS bancários ou passwords) for demasiado complexo ou se falhar. Adicionalmente, 29,75% desistem imediatamente se o site os forçar a criar uma conta antes de pagar.

As empresas estão cientes deste equilíbrio sensível. Ao adotar esta tecnologia, cerca de um terço (33%) dos retalhistas aponta a garantia de uma segurança de dados total contra falhas e fraude como o fator mais crítico. Adicionalmente, 27% sublinham a necessidade urgente de regras claras que os protejam dos custos associados a eventuais erros de compra cometidos pela IA.

"Embora os retalhistas estejam entusiasmados com a perspetiva de oferecer assistentes de compras baseados em IA, muitos partilham dos receios dos seus clientes relativamente à perda de controlo sobre a experiência de checkout", afirma Carlo Bruno, VP de Produto da Adyen. "Para disponibilizar este nível de automatização em segurança, os comerciantes necessitam de uma infraestrutura de pagamentos que proteja os dados e defina claramente quem é responsável quando ocorre um erro. O maior obstáculo ao comércio automatizado não é a tecnologia de IA em si, mas sim a construção da confiança necessária para a utilizar."

Notas aos Editores

A Censuswide cumpre e emprega membros da Market Research Society, seguindo o código de conduta da MRS e os princípios da ESOMAR. A Censuswide é também membro do British Polling Council.

Metodologia do Estudo do Consumidor

O estudo foi realizado pela Censuswide junto de uma amostra representativa de 2.000 consumidores em Portugal (com idade igual ou superior a 16 anos). A recolha de dados decorreu entre os dias 06.05.2026 e 13.05.2026.

Metodologia do Estudo do Retalhista

O estudo foi realizado pela Censuswide junto de uma amostra de 500 retalhistas em Portugal. A recolha de dados decorreu entre os dias 05.05.2026 e 20.05.2026.

Definições de Dados

  • Sentimento do Consumidor: As percentagens relativas à "disponibilidade", "abertura" ou "acordo" representam a combinação das respostas "Concordo totalmente" e "Concordo parcialmente".

  • Sentimento do Retalhista: As percentagens relativas à abertura dos retalhistas representam a combinação das respostas "Muito aberto" e "Moderadamente aberto".

Sobre a Adyen

A Adyen (AMS: ADYEN) é a plataforma de tecnologia financeira de eleição para empresas líderes. Ao disponibilizar capacidades de pagamentos de ponta a ponta, conclusões baseadas em dados e produtos financeiros numa única solução global, a Adyen ajuda as empresas a concretizarem as suas ambições mais rapidamente. Com escritórios em todo o mundo, a Adyen trabalha com empresas como a Meta, Uber, H&M, eBay e Microsoft.