Artigo
Quatro tendências de fraude presencial que estão a transformar o retalho
A fraude presencial está a evoluir. Conheça quatro tendências emergentes que estão atualmente a afetar os retalhistas e descubra medidas práticas para reduzir o risco nas suas operações de comércio unificado.
No que respeita à fraude, os pagamentos presenciais têm sido, desde há muito, considerados uma base segura. No entanto, à medida que o panorama dos pagamentos evolui, também evoluem os métodos dos fraudadores. A interligação entre os ecossistemas de pagamentos online e em loja criou novas vulnerabilidades nos ambientes omnicanal dos comerciantes. Saiba mais sobre o futuro da fraude no nosso Relatório de Fraude de 2026.
Esta evolução pode provocar perdas financeiras significativas e constrangimentos operacionais para os retalhistas. Ainda assim, nas nossas conversas com empresas do setor, muitas afirmam não dispor atualmente das ferramentas necessárias para combater eficazmente a fraude omnicanal.
Ao colaborar com os comerciantes através da tecnologia e da partilha de informação, a Adyen mantém-se na linha da frente na identificação destas ameaças emergentes. Apresentamos, em seguida, quatro tendências de fraude que estão atualmente a afetar o setor do retalho, juntamente com recomendações para as mitigar de forma proativa.
1. Exploração de reembolsos sem referência: engenharia social e abuso de políticas
Os reembolsos sem referência — processados sem estarem associados ao registo de uma transação original e verificada — continuam a ser um dos alvos mais lucrativos para os agentes mal-intencionados. Os fraudadores exploram-nos sobretudo de duas formas:
Engenharia social. Os fraudadores telefonam diretamente aos operadores de caixa, fazendo-se passar pelo departamento interno de tecnologias de informação ou pelo serviço de apoio técnico do comerciante. Manipulam o colaborador para que processe uma transação de teste e, em seguida, dão-lhe instruções para emitir um reembolso sem referência para um cartão controlado pelo fraudador.
Abuso de políticas. Os fraudadores tiram partido de políticas de devolução permissivas ou de ambientes com um elevado volume de transações, solicitando reembolsos sem comprovativo de compra e recorrendo frequentemente a artigos roubados ou trazidos do exterior da loja. Nos casos mais graves, atuam em conluio com colaboradores que utilizam indevidamente o acesso ao sistema de ponto de venda (POS) para creditar dinheiro diretamente nos seus próprios cartões.
Em suma
Estas táticas são amplamente utilizadas tanto em pequenos como em grandes espaços comerciais. Como estes reembolsos não deixam um rasto auditável até à compra inicial, são extremamente difíceis de investigar.
Perspetiva da Adyen e medidas para os comerciantes
Uma vez que a engenharia social assenta no engano humano, a tecnologia, por si só, não consegue impedi-la. Os comerciantes devem formar as equipas de loja para que nunca aceitem instruções telefónicas relativas a transações de teste ou reembolsos.
Ao nível das políticas e dos sistemas, os retalhistas devem exigir reembolsos associados à transação original sempre que possível, utilizando ferramentas como refundWithData da Adyen ou reembolsos tokenizados. Se for indispensável permitir reembolsos sem referência, o sistema POS deve exigir o registo de um identificador único do colaborador, permitindo detetar padrões de fraude interna. Pode encontrar mais informações sobre os riscos dos reembolsos sem referência na documentação da Adyen.
2. Fraude através de carteiras contactless: exploração do modo offline e dos emissores
Os fraudadores manipulam cada vez mais a forma como os terminais de pagamento comunicam com os emissores dos cartões, carregando credenciais de cartão fabricadas em carteiras digitais de terceiros. O objetivo é forçar a aprovação local de uma transação no terminal, sem obter uma autorização válida e em tempo real por parte do emissor. Normalmente, recorrem a dois métodos:
Aprovação EMV offline forçada. O perfil fraudulento do cartão digital é configurado para manipular o terminal durante uma transação EMV, devolvendo falsamente um código de aprovação offline, como o Y1. Este código leva o terminal a aceitar o pagamento sem sequer tentar obter uma autorização online.
Exploração do emissor (também conhecida como abuso do modo «store-and-forward»). O perfil do cartão desencadeia um pedido de autorização online concebido para falhar deliberadamente com uma resposta específica de indisponibilidade do emissor. O fraudador espera que o terminal interprete incorretamente essa resposta como uma verdadeira falha de rede, ative o modo «store-and-forward» e aprove a compra localmente.
Em suma
Esta tática dá origem a transações fraudulentas que acabam por resultar em estornos (chargebacks) dispendiosos. Os agentes mal-intencionados recorrem frequentemente a esta abordagem nos setores do retalho e da hotelaria.
Perspetiva da Adyen e medidas para os comerciantes
A Adyen protege proativamente os comerciantes contra estas vulnerabilidades através de camadas de defesa integradas, tanto ao nível dos terminais como da rede:
Segurança ao nível do terminal. Os terminais de pagamento da Adyen cumprem rigorosamente os kernels de segurança EMV avançados. Nestes cenários específicos, o nosso hardware e as nossas aplicações exigem verificações de autorização online, impedindo falsas aprovações offline forçadas.
Intervenção ao nível da rede. Para neutralizar a exploração de vulnerabilidades do lado do emissor, a Adyen impede que respostas de indisponibilidade do emissor ativem incorretamente o modo «store-and-forward» na sua plataforma. Desta forma, evita que os terminais aprovem indevidamente transações fraudulentas.
3. Ataques de retransmissão NFC «ghost tap»
O chamado «ghost tap» é uma forma altamente sofisticada de fraude de proximidade que assenta num ataque de retransmissão NFC. Um fraudador recorre a um cúmplice presencial (por vezes designado por «mula») que, dentro da loja, aproxima um dispositivo do terminal no ponto de venda. No entanto, as credenciais de pagamento reais são transmitidas e autorizadas remotamente a partir de um dispositivo completamente diferente, no qual foram carregados dados de cartões roubados. Para o operador de caixa e para o terminal, a transação parece ser um pagamento contactless legítimo.
Em suma
Esta tática é cada vez mais frequente, sobretudo entre retalhistas de artigos de luxo, onde o valor elevado das compras torna o esforço coordenado rentável para as redes criminosas.
Perspetiva da Adyen e medidas para os comerciantes
Como os ataques «ghost tap» utilizam tokens de cartões reais em tempo real, conseguem contornar as verificações padrão dos terminais. Enquanto a Adyen continua a acompanhar esta tendência a nível mundial, os comerciantes podem reduzir imediatamente o risco através de algumas medidas simples:
Formar as equipas para identificar comportamentos suspeitos. Esteja atento a clientes que pareçam estar a coordenar-se com outro dispositivo ou outra pessoa durante a transação.
Introduzir controlos adicionais nas compras de elevado valor. Para transações dispendiosas, exija que o cliente insira o cartão físico no terminal, em vez de utilizar apenas o pagamento contactless.
Estar atento à troca repetida de dispositivos. Interrompa a transação se alguém tentar utilizar vários telemóveis ou carteiras digitais após tentativas contactless falhadas.
4. Fraude com cartões-oferta entre diferentes canais
Esta tática é uma corrida contra o tempo que envolve duas pessoas a atuar de forma coordenada. Um dos fraudadores tenta efetuar uma compra em loja com um cartão-oferta. No momento em que apresenta o cartão, partilha os respetivos dados com um cúmplice remoto, que faz imediatamente uma compra online com o mesmo cartão-oferta. Antes que o colaborador da loja consiga concluir ou, perante outras suspeitas, eventualmente anular a transação presencial, o saldo já foi totalmente utilizado online.
Em suma
Este padrão é observado sobretudo em grandes superfícies comerciais, onde os sistemas de inventário online e em loja podem não estar sincronizados instantaneamente com os registos de saldo dos cartões-oferta.
Perspetiva da Adyen e medidas para os comerciantes
Uma vez que a Adyen opera como uma plataforma unificada, acompanha simultaneamente todo o ciclo de vida de um cartão-oferta em todos os canais de venda. A plataforma consegue reconhecer uma operação pendente em loja e bloquear a utilização online simultânea do mesmo número de cartão-oferta, eliminando eficazmente esta lacuna no processamento em tempo real.
Antecipar-se às novas formas de fraude
Uma abordagem proativa ao risco
A Adyen está empenhada em ajudar os retalhistas a lidar com a complexidade da fraude moderna e omnicanal. Através da nossa plataforma unificada, dos dados abrangentes do ecossistema e das capacidades de gestão de risco baseadas em inteligência artificial, em constante evolução, disponibilizamos uma visão holística das suas transações, bem como as ferramentas necessárias para travar a fraude antes que afete os seus resultados financeiros.
Para além das funcionalidades atuais, continuamos a inovar para responder aos tipos de abuso de políticas enfrentados pelos comerciantes que utilizam o comércio unificado. Isto inclui a nossa solução Policy Abuse Management, lançada em 2025 para combater o abuso de reembolsos. A solução utiliza dados de vários canais e o reconhecimento dos clientes para validar de forma simples os compradores legítimos, ao mesmo tempo que trava rigorosamente os comportamentos maliciosos.
Próximos passos
Muitos destes padrões de fraude dependem fortemente de falhas operacionais e de técnicas de engenharia social que ultrapassam o âmbito da segurança tradicional dos pagamentos. A sua mitigação exige uma combinação de sensibilização das equipas, políticas de loja rigorosas e tecnologia robusta.
Cada retalhista apresenta um perfil de risco diferente. Se pretende reforçar a sua estratégia de combate à fraude, contacte o seu Account Manager da Adyen para avaliar a sua exposição atual ao risco, analisar estratégias de prevenção personalizadas e conhecer as capacidades disponíveis nas soluções de risco e otimização da Adyen, incluindo o Uplift Protect.
Autores:
Priyanka Agrawal, Global Retail Lead
Emily Dymond, Head of Performance & Risk Optimization
Suzanne Gendelman, Head of Account Management, Unified Commerce
